Castanhos, aqueles olhos pareciam conter um pedaço do mundo, a parte mais rochas e terra. O estranho eram as torrenciais tempestades de palavras caíam em água pura salgada das pálpebras no copo plástico, tão pretensamente seguro na errática mão esquerda. Aquecida pelos ventos de verão, que enlouquecem a mente das pessoas que ali moravam, sua mão de dedos longos era fogo. Um fogo que parecia aquecer aquela água tão cheia de memórias que até enfraqueciam os dedos tensos que cansados de segurar o copo, o soltavam pouco a pouco até deixá-lo cair derramando aquela água no quente e poroso solo tão castigado pelo clima sempre tão quente e seco que logo absorvia aquilo como se nada fosse. Ainda assim, o copo ficava caído ali. Seria de 200 a 450 anos, segundo os entendidos do assunto, o tempo que aquele copinho ficaria por ali, até ser tragado pela terra também. Sempre voltando para o olhar terra e rocha.
The Vintage Cafe
- "Le langage des fleurs et des choses muettes" Baudelaire





Olhos cor de terra imobilizam, nossos olhares emudecem, petrificam.
Ótima prosa!
Beijos.